Morre Adão Quintana Vieira, referência da música nativista e um dos pilares do Grupo Parceria
Compositor, melodista e instrumentista deixou legado marcado por clássicos dos festivais nativistas e por décadas de dedicação à cultura gaúcha
Publicado em 01/08/2026 às 10:28
Atualizado em 01/08/2026 às 10:38
Capa Morre Adão Quintana Vieira, referência da música nativista e um dos pilares do Grupo Parceria

Foto de Ramon Mendes / Rádio Palmeira

A música nativista do Rio Grande do Sul perdeu um de seus grandes nomes. Morreu na noite de sexta-feira (31), às 23h15, no Hospital São Lucas, em Porto Alegre, o compositor, melodista e instrumentista Adão Quintana Vieira, aos 70 anos. Integrante da família Quintana Vieira e um dos pilares do Grupo Parceria, ele construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura gaúcha e por obras que se tornaram referência nos principais festivais tradicionalistas do Estado.

A cerimônia de despedida será realizada neste sábado (1º), a partir das 16h, na Sala 1 da Angelos, em Uruguaiana. O sepultamento está marcado para domingo (2), às 10h, no Cemitério Municipal Nossa Senhora de Santana.

Natural de Uruguaiana, Adão Quintana Vieira consolidou seu nome como um dos mais importantes compositores da música nativista. Sua identidade artística esteve profundamente ligada ao Grupo Parceria, fundado há mais de três décadas e reconhecido como uma das formações mais premiadas dos festivais nativistas do Rio Grande do Sul. Ao lado do irmão, João Quintana Vieira, desenvolveu uma parceria que resultou em melodias marcantes inspiradas no cotidiano do homem do campo, nas tradições do pampa e nas lendas missioneiras.

Trajetória consagrada nos festivais

Grande parte da carreira de Adão foi construída nos festivais nativistas, onde conquistou reconhecimento pela qualidade de suas composições. No Carijo da Canção Gaúcha, em Palmeira das Missões, tornou-se um dos autores mais vitoriosos da história do festival, assinando melodias de obras que marcaram o cancioneiro regional, como Despedida de um Mateador, Peão das Horas, Homens de Ontem e Quem São Eles.

Também deixou sua marca na Jornada Nativista de Caibaté, ao compor a melodia da canção Missões, Verdade e Legenda, vencedora do festival em seu retorno após três décadas, com letra de Nenito Sarturi. Na Casilha da Canção Farrapa, em Itaqui, destacou-se com composições como o rasguido doble Aos Cavalos Farroupilhas, em parceria com Sílvio Aymone Genro.

Legado para a cultura gaúcha

Ao longo de décadas, Adão Quintana Vieira ajudou a preservar e difundir a identidade cultural do Rio Grande do Sul por meio da música. Suas milongas, chamarras e rasguidos dobles atravessaram gerações e continuam sendo interpretados por artistas e lembrados em festivais e rodas de mate em diferentes regiões do Estado.

Reconhecido pela sensibilidade musical, pelo respeito às tradições e pela contribuição ao movimento nativista, deixa um legado que permanece vivo na história da música regional gaúcha.

Em nota, a família Quintana Vieira e o Grupo Parceria agradeceram as manifestações de solidariedade e condolências recebidas neste momento de luto. A causa da morte não foi divulgada.

Fonte: Ramon Mendes / Tiago Santos Silveira - Jornalismo RP

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