Vacina contra a dengue começa a ser aplicada em Palmeira das Missões
Imunização para público de 10 a 14 anos já está disponível nas ESFs; município não tem casos confirmados, mas região registra ocorrências
Publicado em 12/02/2026 às 12:50
Atualizado em 12/02/2026 às 12:52
Capa Vacina contra a dengue começa a ser aplicada em Palmeira das Missões

Foto de Marcos Morelli / SMCS / Reprodução

A vacina contra a dengue QDENGA já está disponível e começou a ser aplicada em Palmeira das Missões. As doses passaram a ser distribuídas nesta semana em todas as unidades com sala de vacinação do município, contemplando crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme definição do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A confirmação foi feita durante a edição do programa Fala Secretário desta quinta-feira (12), na Rádio Palmeira, com a participação da coordenadora do setor de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde, enfermeira Tamy Zanon, e da coordenadora da Vigilância Epidemiológica, enfermeira Andressa Flores.

Segundo Tamy, a vacina era aguardada desde o aumento expressivo de casos registrado em 2024. Inicialmente restrita a municípios com mais de 100 mil habitantes e, posteriormente, ampliada para 145 cidades gaúchas, a QDENGA passou neste ano a contemplar os 497 municípios do Rio Grande do Sul.

“É uma grande conquista. A vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue e tem eficácia em torno de 80%, reduzindo principalmente os casos graves e as internações”, destacou.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses. Adolescentes que já tiveram dengue devem aguardar seis meses após o quadro clínico para iniciar a imunização. Nos primeiros dias de aplicação, entre 10 e 15 doses já haviam sido administradas no município.

A vacina está disponível nas ESFs Centro (Postão), Centro Social Urbano, Mutirão, Lutz, Amaral, Vista Alegre e Westphalen. O atendimento ocorre das 7h30 às 12h e das 13h30 às 17h. Caso a unidade de referência esteja fechada em determinado turno, o usuário pode procurar outra sala de vacina, já que o atendimento é de livre demanda.

Município sem casos confirmados, mas com notificações

Apesar de não haver casos confirmados de dengue até o momento em Palmeira das Missões, o município contabiliza 28 notificações em investigação. Na área da 15ª Coordenadoria Regional de Saúde, que abrange 26 municípios, já são cinco casos confirmados.

De acordo com Andressa Flores, desde 2021 a dengue passou a representar um problema recorrente de saúde pública na região, com anos de maior incidência alternando com períodos de redução. A Secretaria Estadual de Saúde já emitiu alerta para possibilidade de novo surto em 2026, com base na análise epidemiológica recente.

“A dengue é multifatorial e o controle do vetor é o maior desafio. Todos os municípios da região são infestados pelo Aedes aegypti. Com previsão de chuva e calor, aumenta o risco de proliferação”, explicou.

Ela reforçou que os principais sintomas incluem febre alta, dor atrás dos olhos, dor abdominal, manchas pelo corpo, dores nas articulações e sinais de desidratação. Casos suspeitos devem procurar atendimento nas unidades de saúde para realização de teste rápido e, se necessário, coleta de material para envio ao Laboratório Central do Estado (Lacen), por meio do Serviço de Atendimento Especializado (SAE).

Vacinação aliada à prevenção

As coordenadoras ressaltaram que a vacina não substitui as medidas preventivas, como eliminação de água parada, limpeza de pátios e uso correto de repelente — especialmente no fim da tarde, horário de maior atividade da fêmea do mosquito, responsável pela transmissão.

“A associação da imunização com o controle do vetor é fundamental para interromper a cadeia de transmissão”, afirmou Tamy.

Em breve, o município também deverá receber a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, inicialmente destinada a profissionais da Atenção Primária e da Vigilância Sanitária.

A meta do Ministério da Saúde é atingir 90% de cobertura vacinal no público-alvo. A Secretaria Municipal de Saúde reforça o apelo para que pais e responsáveis levem os adolescentes até uma sala de vacina e mantenham o calendário de imunizações em dia.

Fonte: Ramon Mendes - Jornalismo RP

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