Para a psicopedagoga Clarice Vieira, descobrir o câncer de mama foi um dos momentos mais difíceis e transformadores de sua vida. Aos 40 anos, em meio a uma fase repleta de planos e novos projetos, ela se viu diante de um desafio inesperado — daqueles que mudam completamente a forma de enxergar a si mesma, o tempo e as prioridades.
Clarice conta que a descoberta aconteceu de forma simples, mas com um grande significado. Durante o banho, ao realizar o autoexame — um hábito que mantinha sem imaginar sua importância — percebeu algo diferente. Hoje, ela acredita que aquele momento foi um gesto guiado por Deus.
O diagnóstico trouxe medo e incerteza: o desconhecido, o tratamento e, acima de tudo, o temor de partir e deixar sua filha Aurora, que na época estava com apenas quatro anos. Mas foi justamente nela que Clarice encontrou a força para lutar. O sorriso da filha e o amor que as unia tornaram-se o combustível para enfrentar cada dia com coragem e esperança. O apoio constante do marido também foi fundamental em cada etapa, dando-lhe a força e a segurança necessárias para seguir em frente.
Após a descoberta, vieram os maiores desafios. “O processo não foi fácil. Passei por duas cirurgias e por todo o tratamento com altos e baixos, dias de dor, de cansaço e de incertezas. Muitas vezes chorei sozinha, pensando que não iria conseguir”, afirmou Clarice.
A psicopedagoga conta que, ao manter-se ativa no trabalho, encontrou uma poderosa fonte de força e motivação. Cada paciente, cada história compartilhada, reforçava em seu coração o verdadeiro sentido de sua missão: cuidar de pessoas e transformar vidas.
Cada sessão de quimioterapia representava para Clarice um passo a mais rumo à cura, e quando o último dia chegou, as lágrimas foram inevitáveis — lágrimas de alívio, gratidão e vitória.
Hoje, quase um ano e meio após o término do tratamento, ela olha para trás com o coração repleto de esperança. A experiência lhe ensinou que a força humana é muito maior do que se imagina e que o amor — por si mesma, pela família e pela vida — é uma das mais poderosas formas de cura que existem.
Clarice deixa uma mensagem de esperança para outras mulheres que enfrentam o mesmo desafio. Ela afirma que o diagnóstico não é o fim, mas o recomeço de uma vida com mais fé, propósito e gratidão. Reforça a importância do autoexame e dos acompanhamentos médicos, lembrando que o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Para quem está passando por esse processo, ela aconselha respirar fundo e ter fé, permitindo-se sentir, chorar e recomeçar quantas vezes for preciso.
“Um dia de cada vez, a dor se transforma em força e a esperança renasce. Você não está sozinha — há um propósito em cada fase, e Deus está cuidando de cada detalhe”, afirma.
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