Foto de Thai Fontana / Emater / Reprodução
Palmeira das Missões recebeu, na quarta-feira (23), o Dia de Campo “Inverno Gaúcho: desafios, oportunidades e estratégias”. A programação foi realizada das 9h às 17h, na Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, com entrada gratuita.
O evento contou com 14 estações técnicas voltadas a temas relacionados à produção agropecuária durante o período de inverno. A proposta foi apresentar alternativas para geração de renda, sustentabilidade e aproveitamento das oportunidades existentes na região durante a estação.
A realização foi da Emater/RS-Ascar e da Escola Celeste Gobbato, com parceria da UFSM Palmeira das Missões, Embrapa Trigo, Biotrigo, OR Sementes, Fundação Pró-Sementes, Be8, DonMario, SRM, Nuseed, Sementes Scherer, Biotrico e Prefeitura Municipal.
O diretor da Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, Luis Carlos Cosman, destacou que o encontro foi construído a partir da participação de diversas instituições e teve como um dos principais objetivos aproximar produtores das novas tecnologias e métodos disponíveis para o período de inverno.
Segundo Cosman, a realização também contou com protagonismo dos alunos e professores da escola, além da participação da Emater/RS-Ascar, UFSM, Embrapa e empresas do setor de sementes. Para o diretor, a iniciativa possibilitou apresentar experimentos, resultados e tecnologias desenvolvidas para enfrentar os desafios da produção agropecuária na região.
Evento buscou apresentar alternativas para o inverno
O gerente da regional de Frederico Westphalen da Emater/RS-Ascar, Mateus Stefanello, explicou que a ideia do Dia de Campo surgiu de uma parceria entre a instituição e a Escola Celeste Gobbato. Segundo ele, a iniciativa buscou ampliar a discussão sobre as oportunidades existentes durante o inverno, em uma região que tradicionalmente concentrava eventos e atividades relacionadas às culturas de verão, como soja e milho.
Stefanello destacou que a baixa rentabilidade do trigo havia aumentado a necessidade de apresentar alternativas aos produtores. Entre as possibilidades discutidas estavam plantas de cobertura, canola e outras atividades capazes de contribuir para o planejamento das propriedades durante a estação.
O gerente também ressaltou que o evento abordou programas e ações relacionados ao manejo do solo, incluindo iniciativas de recuperação desenvolvidas pelo Estado e o trabalho da Emater/RS-Ascar com forrageiras. A intenção foi apresentar opções que pudessem contribuir para a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade dos sistemas de produção.
Rentabilidade do trigo e manejo do solo estiveram entre os temas
A situação econômica do trigo foi apontada como um dos desafios enfrentados pelos produtores. Além da questão da rentabilidade, Stefanello mencionou dificuldades relacionadas à contratação de seguro agrícola e aos riscos climáticos, especialmente em períodos de excesso de chuva próximos à colheita.
Segundo ele, as condições climáticas poderiam comprometer a qualidade do grão e aumentar os riscos para quem investia na cultura. Nesse contexto, a apresentação de alternativas de inverno ganhou importância para o planejamento das propriedades.
Outro eixo destacado pelo gerente foi o manejo do solo. A Emater/RS-Ascar vinha desenvolvendo ações relacionadas à correção, formação de perfil, compactação e capacidade de infiltração de água, além do controle dos processos erosivos.
Stefanello ressaltou que o trabalho de conservação do solo precisava ser contínuo. Na avaliação apresentada durante o evento, práticas como o plantio direto haviam representado avanços importantes, mas os resultados observados ao longo dos anos mostravam a necessidade de aperfeiçoar os sistemas e retomar a discussão sobre a qualidade e a conservação do solo.
O tema também estava relacionado às iniciativas da Emater que reuniam diferentes instituições em ações voltadas à recuperação dos solos. Para a Emater/RS-Ascar, a qualidade do solo era considerada uma das bases para aumentar a resiliência diante das variações climáticas, melhorar a produtividade e contribuir para a rentabilidade das propriedades.
UFSM participou das estações e atividades do evento
A Universidade Federal de Santa Maria também teve participação direta na programação. O diretor do campus da UFSM em Palmeira das Missões, Adriano Lago, destacou que a universidade manteve uma parceria histórica com a Escola Celeste Gobbato e esteve presente em diferentes atividades do Dia de Campo.
Segundo Lago, a UFSM participou de diversas estações, incluindo ações relacionadas à produção agropecuária e atividades desenvolvidas por diferentes áreas da universidade. O setor de Enfermagem também esteve presente com aferição de sinais vitais, enquanto professores e pesquisadores contribuíram com as atividades técnicas.
O diretor ressaltou que a aproximação entre a escola e a universidade também possibilitava aos estudantes visualizar uma trajetória de formação que poderia continuar no ensino superior. Muitos alunos da Escola Celeste Gobbato haviam posteriormente ingressado na UFSM, fortalecendo a integração entre as instituições.
Para Lago, a parceria também era importante para aproximar a pesquisa das necessidades encontradas no campo. Segundo ele, a universidade precisava partir da realidade e das demandas dos produtores para desenvolver pesquisas capazes de produzir respostas aos problemas enfrentados no setor agropecuário.
O diretor destacou ainda que o inverno representava uma oportunidade para ampliar a utilização das áreas agrícolas do Rio Grande do Sul. Enquanto o verão concentrava grandes áreas destinadas à soja e ao milho, milhares de hectares permaneciam sem cultivo durante o inverno, situação que poderia ser enfrentada por meio do desenvolvimento de novas tecnologias e alternativas produtivas.
Pesquisa buscou respostas para as mudanças climáticas
Adriano Lago também destacou a necessidade de aperfeiçoamento das práticas agrícolas diante das mudanças climáticas. Segundo ele, técnicas desenvolvidas ao longo das últimas décadas, incluindo sistemas relacionados ao plantio direto, precisavam ser aprimoradas para responder às novas condições de chuva intensa e períodos de estiagem.
Nesse contexto, o Dia de Campo foi apresentado como um espaço de discussão e busca por soluções para os problemas enfrentados pelos produtores. A integração entre pesquisa, assistência técnica, ensino e produção foi apontada como fundamental para o desenvolvimento de novas respostas para o setor.
Extensão aproximou universidade das demandas da comunidade
A pró-reitora de Extensão da UFSM, Milena Freire, destacou que a participação da universidade no evento representou uma oportunidade de estabelecer uma interlocução direta com a comunidade e com os produtores.
Segundo Milena, a extensão universitária deveria partir de uma escuta das demandas apresentadas pelos diferentes territórios e públicos. A partir dessas necessidades, a universidade poderia estabelecer prioridades e desenvolver ações articuladas entre ensino, pesquisa e extensão.
A pró-reitora ressaltou que o conhecimento produzido pela universidade não deveria permanecer restrito ao ambiente acadêmico. Para ela, a interação com agricultores, instituições, empresas e demais setores da sociedade permitia construir soluções de forma coletiva e ampliar o impacto das ações desenvolvidas pela instituição.
Milena também destacou a importância das parcerias para esse processo. Segundo ela, a articulação entre a UFSM, a Escola Celeste Gobbato, empresas e outras instituições possibilitava reunir diferentes conhecimentos, recursos e experiências para produzir resultados relacionados à transformação econômica e social e à melhoria da qualidade de vida da população.
Estações técnicas apresentaram alternativas de produção
A programação abordou diferentes aspectos do planejamento e da produção no campo. Entre os temas trabalhados estiveram forrageiras de inverno, bioinsumos, integração lavoura-pecuária, plantas de cobertura, oportunidades de inverno, produção e qualidade do leite, planejamento agrícola, tempo e clima, manejo de solo, manejo e controle de plantas daninhas e demonstração de cultivares de trigo.
Durante a atividade, também foram apresentadas tecnologias, experimentos e resultados relacionados a diferentes alternativas de produção. A proposta foi permitir que produtores conhecessem possibilidades de manejo e sistemas que pudessem ser utilizados durante o inverno.
Cosman ressaltou que o evento buscou criar um espaço para troca de experiências entre produtores, técnicos, pesquisadores, professores e estudantes. Ele também destacou que as discussões consideraram os impactos das mudanças climáticas sobre a atividade agropecuária.
Para o diretor, mesmo diante dos desafios enfrentados pelo setor, a produção precisava continuar, e o papel da escola e das instituições parceiras era apresentar possibilidades, discutir dificuldades e identificar áreas que demandassem novos estudos e maior atenção.
Escola Celeste Gobbato foi sede
A Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, que sediou o encontro, possuía mais de 60 anos de atuação na formação técnica em agropecuária e no desenvolvimento de pesquisas aplicadas ao campo.
A instituição contava com cerca de 280 alunos e dispunha de uma área de aproximadamente 200 hectares, onde eram desenvolvidas atividades com lavouras e criação de gado de corte e leite, suínos e ovinos.
A estrutura também incluía 17 Unidades Educativas de Produção, permitindo que os participantes acompanhassem na prática diferentes sistemas e atividades relacionadas aos conteúdos apresentados durante o Dia de Campo.
A participação dos estudantes foi destacada pela direção da escola como parte importante da realização. Os alunos estiveram envolvidos junto aos professores e às instituições parceiras, contribuindo para a organização e para as atividades desenvolvidas nas estações.
Integração entre pesquisa e produção
O encontro também contou com participação do ambiente acadêmico. Em edições anteriores, acadêmicos e docentes do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (PPGAGR) da UFSM haviam participado de atividades com pesquisas sobre rentabilidade no inverno e oportunidades para a bovinocultura no Noroeste Gaúcho.
As discussões também haviam envolvido temas como melhoramento genético, sementes forrageiras, políticas públicas, intensificação sustentável e utilização de trigo e triticale para pastejo.
A aproximação entre instituições de ensino, pesquisa, assistência técnica e produtores buscou ampliar o acesso a informações que pudessem auxiliar nas decisões relacionadas ao planejamento das atividades agropecuárias.
Sucessão familiar também esteve entre os objetivos
A participação dos estudantes e a formação de novos profissionais também estiveram relacionadas à preocupação com a sucessão familiar no meio rural. Para Stefanello, aproximar os jovens das atividades práticas, das tecnologias e das alternativas de produção poderia contribuir para a permanência deles nas propriedades.
A integração entre escola, assistência técnica, pesquisa e produtores buscou, dessa forma, não apenas apresentar tecnologias, mas também discutir condições para que as propriedades permanecessem produtivas e economicamente sustentáveis.
Inverno foi apresentado como oportunidade para o campo
A programação destacou a importância estratégica do período de inverno para a produção agropecuária regional. O objetivo foi discutir formas de aproveitar áreas, recursos e tecnologias disponíveis para diversificar atividades e ampliar as possibilidades de renda no campo.
O evento reuniu produtores rurais, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes de instituições ligadas ao setor agropecuário.
A proposta apresentada pelas entidades envolvidas foi transformar os desafios do inverno em oportunidades de produção e geração de renda, contribuindo também para a permanência dos jovens no meio rural.
Ao avaliar a realização, Luis Carlos Cosman agradeceu o apoio das instituições e dos parceiros envolvidos. Mateus Stefanello reforçou a importância da parceria entre as entidades para ampliar o acesso dos produtores a informações e alternativas para o planejamento das atividades agropecuárias.
Adriano Lago e Milena Freire também destacaram a importância da aproximação entre universidade, escola, assistência técnica, produtores e demais instituições. A participação da UFSM no evento reforçou a proposta de integrar ensino, pesquisa e extensão às demandas concretas encontradas no campo, especialmente diante dos desafios relacionados à rentabilidade, ao uso do solo e às mudanças climáticas.
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